30 de agosto de 2025
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Tarifaço de Trump contra o Brasil gera reação de Lula e repercussão internacional

Medida impõe 50% de imposto sobre todos os produtos brasileiros exportados aos EUA a partir de 1º de agosto

O anúncio de um tarifaço de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos feito pelo presidente norte-americano Donald Trump causou forte repercussão internacional e provocou uma resposta imediata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi formalizada por meio de uma carta pública de Trump, divulgada ontem (9) nas redes sociais e endereçada diretamente a Lula, alegando questões políticas como motivação para a taxação.

Segundo Trump, a nova medida tarifária entra em vigor no dia 1º de agosto e teria sido motivada, entre outros fatores, pela situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado. O norte-americano criticou ainda ações do STF contra aliados de Bolsonaro, inclusive alguns que vivem em solo norte-americano.

Lula reage com firmeza

Em tom firme, Lula respondeu pelas redes sociais afirmando que o Brasil responderá à altura com a Lei de Reciprocidade Econômica, uma medida prevista na legislação brasileira para reagir a ações comerciais consideradas injustas ou unilaterais.

“Qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de reciprocidade econômica. A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo”, escreveu o presidente.

Além disso, Lula rebateu o argumento de Trump sobre um suposto déficit comercial entre os dois países, classificando a justificativa como “falsa”.

Imprensa internacional repercute “guerra comercial”

A imprensa global não tardou a reagir. Veículos dos Estados Unidos, Europa e América Latina abordaram o impacto político e econômico da medida, e a tensão crescente entre os dois países:

  • The New York Times falou em uma “guerra comercial repentina” e citou o apoio velado de Trump a Bolsonaro como um dos fatores motivadores da taxação.
  • The Washington Post classificou a decisão como uma “forte escalada diplomática” e destacou a promessa de retaliação por parte do governo brasileiro.
  • The Guardian, do Reino Unido, alertou para os riscos de uma “estratégia comercial errática” de Trump aumentar ainda mais a inflação no próprio Estados Unidos.
  • O argentino Clarín falou em um “aumento drástico de tarifas” e no agravamento das tensões diplomáticas entre Brasil e EUA.
  • A alemã Deutsche Welle destacou que a decisão de Trump tem motivações políticas, ligadas ao apoio ao ex-presidente Bolsonaro.
  • O francês Le Monde afirmou que Trump está usando tarifas como instrumento político, acusando Lula de perseguir seu antecessor.
  • O espanhol El País foi além e afirmou que Trump estaria “ultrapassando os limites” ao usar tarifas como pressão, inclusive contra outros oito países, em estratégia que visa negociar sob ameaça.

Impacto direto para o agronegócio e a economia de MS

A decisão preocupa especialmente setores do agronegócio brasileiro, com destaque para Mato Grosso do Sul, que tem forte presença nas exportações de carne bovina, celulose e soja para os Estados Unidos. Com o novo tarifaço, esses produtos podem perder competitividade e sofrer impacto nas exportações já a partir de agosto.

Além disso, empresários do setor de alimentos e da indústria de transformação sul-mato-grossense observam com atenção a movimentação, temendo recuo de contratos e prejuízos econômicos no segundo semestre.