30 de agosto de 2025
EconomiaPolítica

Crise Institucional e Tarifária Bolsonaro sob pressão do STF e tarifas de Trump afetam MS

Medidas contra Bolsonaro geram impacto político, econômico e diplomático, com reflexos diretos para Mato Grosso do Sul.


O ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta novas investidas do Supremo Tribunal Federal (STF), após descumprir medidas cautelares impostas pela Corte. O ministro Alexandre de Moraes deu prazo de 24 horas para que sua defesa explique a participação em entrevistas e publicações indiretas em redes sociais, o que pode acarretar em prisão preventiva imediata.

Bolsonaro, que teve de usar tornozeleira eletrônica por ordem do STF, apareceu publicamente em evento na Câmara dos Deputados e concedeu entrevistas que foram parar nas redes sociais de aliados. Moraes entende que isso fere a decisão judicial que proíbe qualquer uso de redes — direto ou por terceiros.

O episódio provocou reações intensas no cenário político. Parlamentares do PL acusaram Moraes de cerceamento de liberdade de expressão. Do exterior, o governo norte-americano, liderado por Donald Trump, também reagiu: considerou as medidas do STF como “perseguição política” e anunciou retaliações comerciais. Entre elas, tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros.

Essas decisões causaram forte abalo na política econômica brasileira, especialmente em estados com grande peso no setor agroexportador, como Mato Grosso do Sul.

Impactos para o agro de Mato Grosso do Sul

Com forte dependência de mercados externos, o agronegócio sul-mato-grossense está entre os mais afetados pela nova onda de tarifas dos EUA. Produtos como carne bovina, soja e milho enfrentam risco de queda na competitividade, o que pode gerar recuo nas exportações, perda de receita e efeitos em cadeia sobre empregos e arrecadação fiscal.

O presidente da Famasul, Marcelo Bertoni, afirmou que “as tarifas americanas podem inviabilizar contratos de exportação e afetar diretamente o produtor rural”. Já a Associação dos Produtores de Carne Bovina de MS avalia que o cenário pode provocar uma retração de até 15% nas vendas internacionais no segundo semestre.

Reações políticas locais

O governador Eduardo Riedel (PSDB) declarou preocupação com os impactos econômicos e pediu diálogo institucional: “As divergências políticas não podem comprometer a segurança jurídica nem prejudicar setores produtivos inteiros”. Prefeitos de cidades exportadoras, como Dourados, Maracaju e Três Lagoas, também demonstraram preocupação.

STF e liberdade de expressão

Do ponto de vista técnico, o STF entende que a restrição à comunicação pública de Bolsonaro não viola a liberdade de expressão. A Corte alega que medidas cautelares são legítimas quando há risco de obstrução de investigações ou reincidência. Moraes reforçou que a proibição inclui “comunicação por qualquer meio que gere divulgação pública, inclusive por terceiros”.

Conclusão

O cenário é de escalada institucional e econômica, com o risco de prisão de um ex-presidente e retaliações comerciais entre potências. Para Mato Grosso do Sul, os reflexos já são sentidos no campo e nos mercados locais, com a tensão entre os Poderes se somando aos desafios de competitividade internacional.

O caso segue em análise no STF, e a defesa de Bolsonaro tem até o fim do desta terça-feira 22 de julho, para apresentar justificativas formais.

O desfecho poderá redefinir o rumo da política nacional — e o fôlego da economia regional.

Foto: Divulgação/Redes Sociais