23 de janeiro de 2026
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Máfia do transporte usa motoristas para tentar “morder” mais dinheiro público

Enquanto a população enfrenta ônibus lotados, um serviço ultrapassado, caro e de péssima qualidade, o Consórcio Guaicurus mantém uma estratégia conhecida no histórico de “feitos” dos empresários do setor: acharcar o Poder Público para conseguir mais dinheiro.

O novo capítulo da novela “Saco sem fundo do transporte coletivo” veio com a greve dos motoristas deflagrada nesta segunda-feira. O cenário é o seguinte: na ânsia por mais dinheiro, as empresas inventam uma narrativa que coloca seus funcionários contra a Prefeitura e a população.

A ideia é, com o serviço paralisado, forçar o Município a injetar mais verbas no sistema. Só este ano, a Prefeitura informa ter repassado mais de R$ 35 milhões em subsídios e vales-transportes ao Consórcio Guaicurus, inclusive antecipando pagamentos.

Para os empresários isso é pouco. Eles tentam na Justiça elevar o preço da tarifa para mais de R$ 9, enquanto descumprem várias cláusulas do contrato de concessão que mantém com o município, entre eles a obrigatoriedade de renovar a frota e implantar outras melhorias no serviço.

O Consórcio, vale lembrar, é uma empresa privada. Cabe a ele administrar seus recursos, manter a frota dentro das regras e cumprir compromissos com seus funcionários. Transferir essa responsabilidade para o usuário ou para o poder público tem sido, ao longo dos anos, uma narrativa recorrente cada vez mais difícil de sustentar.

A prefeita Adriane Lopes tem determinado constantemente ao seu corpo técnico que o problema seja solucionado de forma definitiva, mas ela demonstra consciência de que mexer nessa caixa-preta poderia causar um BO ainda maior, principalmente à população, então a gestora trata do assunto com extrema cautela, o que demanda tempo e muito estudo.

Do outro lado, a oposição tenta, com o perdão do trocadilho, pegar carona na história fazendo barulho sem, no entanto, manifestar qualquer procedimento factível que ajude a resolver o problema. Fica fácil atirar pedra no telhado dos outros sem ter qualquer obrigação – ou capacidade – de enfrentar a realidade e atuar, de fato, ao lado dos passageiros, que são os mais vulneráveis nesse jogo sujo da Máfia do Transporte.

Hoje, mais de 200 ônibus da frota do Consórcio Guaicurus rodam com idade acima do previsto em contrato. Os empresários fazem ouvidos moucos às críticas da população – claro, eles não andam de ônibus, nem conhecem a dor dos seus clientes. Pensam apenas em engordar o próprio pix, usando esta artimanha condenável de expor os inocentes motoristas à linha de frente.

Então, o que temos até o momento é o seguinte: a greve já foi considerada abusiva, ilegal e injustificável pela Justiça do Trabalho, determinando a volta de pelo menos 70% do serviço. O aumento da tarifa está em discussão na Justiça, porque a Prefeitura não concorda com o plano dinheirista das empresas. O Município está em dia e até antecipando milhões às empresas, que diante do seu caos administrativo, um serviço pífio e condenável, só pensam em arrecadar mais.

O plano é tão sórdido que o Consórcio Guaicurus tenta até colocar o Governo do Estado contra a Prefeitura. Parceiros estratégicos e aliados de primeira hora que são, Parque dos Poderes e Paço Municipal não compram esta estratégia e estão buscando todos os meios dentro das quatro linhas para neutralizar de uma vez por todas a Máfia dos Transportes. Esperamos que o final desta novela seja feliz e chegue logo.