9 de março de 2026
Política

Câmara vota veto ao projeto que barra aumento da taxa do lixo do executivo

O veto do Executivo municipal ao projeto que suspende o reajuste da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares será votado na próxima terça-feira, 3 de fevereiro, durante a primeira sessão ordinária do ano da Câmara Municipal de Campo Grande.

A matéria trata do Projeto de Lei Complementar 1.016/26, aprovado pelos vereadores em janeiro, que suspende os efeitos do Decreto 16.402/2025 — ato da Prefeitura que instituiu o novo modelo de cobrança da taxa do lixo para 2026. A definição da data de votação ocorreu em reunião realizada nesta segunda-feira (26), com participação de vários parlamentares.

A decisão impacta diretamente o valor dos carnês do IPTU 2026, que chegaram com aumentos considerados elevados por muitos contribuintes, principalmente em razão:

  • da majoração da taxa do lixo
  • e da redução do desconto para pagamento à vista de 20% para 10%, medidas adotadas exclusivamente pelo Executivo.

Câmara diz que reajuste foi feito sem diálogo

O presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy, afirmou que a votação do veto logo na primeira sessão do ano é uma forma de dar resposta à população.

“Ficou deliberado junto com o coletivo dos vereadores que vamos apreciar o veto imediatamente quando começarem as sessões. Os vereadores terão a oportunidade de se manifestarem mais uma vez sobre a taxa do lixo, que foi aumentada abruptamente, sem diálogo com a população”, declarou.

Segundo ele, a Câmara atuou durante o recesso parlamentar criando comissão especial e realizando sessão extraordinária para discutir o tema.

“A comissão foi eficiente, conseguiu a dilatação do prazo de pagamento até 12 de fevereiro e também avanços para quem paga parcelado, mas infelizmente não conseguimos avançar na retomada dos 20% de desconto”, completou.


Entenda o impasse entre Câmara e Prefeitura

De acordo com informações da própria Câmara Municipal, os valores cobrados em 2026 decorrem de dois decretos editados exclusivamente pelo Executivo, sem participação do Legislativo:

  • Decreto 16.422/2025
    Trata da atualização da base de cálculo do IPTU, com correção pelo índice inflacionário, conforme legislação já existente.
  • Decreto 16.402/2025
    Estabelece o novo modelo de cobrança da taxa do lixo, com base no chamado Mapa do Perfil Socioeconômico Imobiliário, previsto na Lei Complementar 318/2017.
    Foi esse decreto que os vereadores suspenderam em sessão extraordinária e que agora é alvo do veto do Executivo.

Segundo a Câmara, o aumento mais expressivo nos carnês veio justamente da nova metodologia da taxa do lixo, e não da correção inflacionária do IPTU.

Falta de transparência é alvo de críticas

Os vereadores também reclamam que, apesar de uma emenda aprovada em 2024 determinar que o Executivo apresente relatório técnico prévio sobre impactos da atualização do IPTU, a Prefeitura não encaminhou esse documento à Câmara neste ano.

Papy reforça que o Legislativo não é contra a atualização técnica dos valores, mas defende que decisões que impactam diretamente o bolso da população precisam ser tomadas com transparência e diálogo público.

O que acontece agora

Na sessão do dia 3 de fevereiro, os vereadores irão decidir se:

  • Mantêm o veto do Executivo, e o aumento da taxa do lixo continua valendo;
    ou
  • Derrubam o veto, e o decreto que reajustou a taxa perde efeito.

A votação promete ser uma das mais importantes do início do ano legislativo, com forte repercussão entre os contribuintes da Capital.

O Campão News acompanha o caso e trará cobertura completa da sessão e do resultado da votação.