3 de fevereiro de 2026
Geral

Espécies migratórias: COP15 em MS deve reunir especialistas de mais de 100 países em março

Mato Grosso do Sul foi escolhido para sediar a COP15 – Conferência das Nações Unidas para a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, que acontece entre 23 e 29 de março, em Campo Grande. O evento internacional deve atrair mais de 2 mil especialistas, representantes governamentais, pesquisadores e membros de organizações ambientais de mais de 100 países.

A escolha por Mato Grosso do Sul está diretamente ligada à importância estratégica do Pantanal para a conservação das espécies migratórias, especialmente aves. Considerada a maior área alagável do planeta, a região pantaneira funciona como rota, ponto de descanso e área de alimentação para inúmeras espécies em trajetos migratórios de média e longa distância.

Detalhes apresentados em coletiva

Os primeiros detalhes da organização da COP15 foram apresentados em coletiva de imprensa realizada na tarde de segunda-feira (2), no auditório do Imasul. Participaram o secretário estadual da Semadesc, Jaime Verruck, o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, e a secretária de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério, Rita Mesquita.

“Será um grande momento para Mato Grosso do Sul apresentar o Pantanal para o mundo. O Governo do Estado está totalmente empenhado no projeto”, afirmou Verruck durante a coletiva.

Importância global da conferência

Realizada a cada três anos, a Conferência das Espécies Migratórias chega à sua 15ª edição. Apesar de ser mais antiga que a Conferência do Clima da ONU, a COP do clima já está na 30ª edição por ocorrer anualmente.

Atualmente, 133 países são signatários da Convenção das Espécies Migratórias, número inferior ao da Convenção do Clima, que conta com 198 partes. Segundo Rita Mesquita, um dos objetivos do Brasil ao sediar a COP15 é ampliar a adesão de novos países, especialmente no continente americano. Hoje, praticamente toda a América Central e todos os países da América do Norte ainda não integram a convenção.

O Brasil participa oficialmente da conferência desde 1º de outubro de 2015 e é visto como uma liderança internacional nas pautas ambientais.

Estrutura e locais do evento

A COP15 em Campo Grande já tem estrutura praticamente definida. A chamada Zona Azul (Blue Zone), onde ocorrem as negociações oficiais entre os países, será instalada no Expo Bosque, no Shopping Bosque dos Ipês.

Outras atividades paralelas ocorrerão no Bioparque Pantanal, na Casa do Homem Pantaneiro — reformada especialmente para o evento —, ambos no Parque das Nações Indígenas, além do Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, no Parque dos Poderes.

Logística, turismo e segurança

O Governo do Estado já iniciou articulações com os setores de hotelaria, bares e restaurantes para garantir a capacidade de atendimento aos participantes. Companhias aéreas também foram procuradas para a oferta de voos extras durante o período da conferência, além da organização de linhas especiais de transporte coletivo entre o shopping Bosque dos Ipês, a região central e áreas hoteleiras.

A Fundação de Turismo de MS (Fundtur) trabalha com o trade turístico na criação de roteiros para o Pantanal e Bonito, enquanto a Sejusp será responsável por reforçar a segurança no aeroporto, nos locais do evento e nos principais pontos de circulação dos visitantes.

A expectativa é que a COP15 projete Mato Grosso do Sul no cenário internacional, fortalecendo o debate ambiental, o turismo sustentável e a imagem do Estado como referência global na conservação da biodiversidade.