7 de fevereiro de 2026
Economia

Fiems participa do lançamento da ferrovia da Arauco, marco logístico para a indústria de MS

A Fiems participou, na sexta-feira (6), do lançamento da pedra fundamental da ferrovia do Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência. O novo ramal ferroviário é considerado um marco logístico para a indústria de Mato Grosso do Sul, especialmente para o setor de celulose, que lidera a produção e as exportações nacionais.
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Representando o presidente da Fiems, Sérgio Longen, o vice-presidente Crosara Júnior destacou que a Federação tem atuado de forma integrada com as instâncias estaduais para criar oportunidades estruturantes ao setor produtivo. Segundo ele, a entidade está preparada para apoiar a nova fase industrial por meio de iniciativas do Sesi, Senai e IEL.

“Esse evento simboliza a convergência de esforços construídos ao longo dos anos. A Fiems está pronta para apoiar a indústria também neste momento decisivo, que é colocar a fábrica em pleno funcionamento”, afirmou Crosara.

Logística estratégica para a celulose

O novo ramal ferroviário vai atender diretamente a futura fábrica da Arauco, que terá capacidade produtiva de 3,5 milhões de toneladas anuais de celulose. A produção será escoada até o pátio da Rumo Malha Norte (RMN) e, posteriormente, seguirá para o Porto de Santos, com destino principalmente aos mercados dos Estados Unidos, Europa e Ásia.

A ferrovia será implantada no modelo short line — ferrovia de curta extensão voltada à logística — com 45 quilômetros de extensão, além de outros 9 quilômetros dentro da própria planta industrial. A previsão é que as obras sejam concluídas no segundo semestre de 2027.

Redução de custos e impacto ambiental

O ministro dos Transportes, Renan Filho, ressaltou que a implantação da ferrovia representa um avanço estrutural para a logística nacional e para a competitividade de Mato Grosso do Sul. De acordo com ele, o novo modelo reduzirá em cerca de 190 viagens de caminhão por dia, o que corresponde a uma diminuição de 94% na emissão de CO₂.

“A ferrovia torna o transporte mais eficiente, melhora a segurança nas rodovias e amplia a capacidade de escoamento da produção. Essa é a primeira concessão desse tipo no Brasil e abre uma nova rota de desenvolvimento para o Estado”, destacou o ministro.

Desenvolvimento regional e investimentos privados

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, enfatizou que o crescimento do Estado está diretamente ligado aos investimentos em infraestrutura e a novos modelos de parceria entre o poder público e a iniciativa privada.

“Esse projeto é estratégico para o desenvolvimento regional. É um novo modelo aprovado pelo Congresso, que permite à empresa construir a ferrovia para uso próprio, simplificando processos, reduzindo custos e garantindo eficiência logística”, afirmou.

O complexo industrial da Arauco ocupa uma área de 3,5 mil hectares e recebe investimentos de R$ 26 bilhões. A previsão é que a fábrica entre em operação em 2027, gerando mais de 2.500 empregos diretos na fase operacional. Atualmente, mais de 9 mil trabalhadores atuam na obra, número que deve ultrapassar 14 mil no pico da construção.

O diretor-presidente da Arauco, Carlos Altimiras, destacou a importância da união entre os setores público e privado. “Esse é um marco legal consistente, fundamental para um planejamento de longo prazo e para o fortalecimento da indústria no Estado”, afirmou.

Liderança nacional da celulose

Mato Grosso do Sul já conta com quatro plantas industriais de celulose em operação, com capacidade produtiva de 7,5 milhões de toneladas por ano — cerca de 30% da capacidade nacional. Até 2030, com os projetos da Arauco e da Bracell, o Estado deve incorporar mais 5 milhões de toneladas anuais, consolidando-se como o maior produtor de celulose do Brasil.

Segundo dados do Observatório da Fiems, entre 2024 e 2025 o Estado ampliou sua participação nas exportações nacionais de celulose de 28% para 35%, com crescimento de 17% na receita do setor. Atualmente, o produto representa 29% de tudo o que Mato Grosso do Sul exporta, com receita recorde de US$ 3,1 bilhões e vendas para mais de 40 países.

Com mais de 90% da produção escoada pelo Porto de Santos, a nova ferrovia surge como peça-chave para sustentar a expansão da cadeia da celulose, que hoje emprega cerca de 22 mil trabalhadores formais no Estado e se consolida como um dos principais motores da economia sul-mato-grossense.