Ataque contra mulher trans e feminicídios reacendem alerta sobre violência e deputada cobra ações efetivas
O recente caso de violência extrema contra uma mulher trans em Ponta Porã, aliado à sequência de feminicídios registrados nas últimas semanas em Mato Grosso do Sul, reacendeu o alerta sobre a escalada da violência de gênero no Estado.
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Diante desse cenário, a deputada estadual Gleice Jane (PT) defendeu o fortalecimento urgente da rede de proteção às mulheres e a adoção de políticas públicas mais efetivas.
Segundo informações da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, a vítima, de 29 anos, foi atraída até uma residência sob um pretexto e sofreu agressões físicas e ameaças. O caso é investigado como tortura e lesão corporal.
Para a parlamentar, o episódio evidencia o nível de violência enfrentado por mulheres, especialmente aquelas em situação de maior vulnerabilidade.
“Esse caso revela uma violência marcada pelo ódio e pela tentativa de desumanização. Nenhuma pessoa deveria passar por isso. Quando uma mulher é vítima de violência por existir, toda a sociedade precisa se indignar”, afirmou.
Projeto busca fortalecer rede de proteção
Como resposta ao cenário, Gleice Jane destacou o Projeto Ampara, proposta de sua autoria que visa estruturar um protocolo integrado de atendimento e acolhimento às vítimas de violência.
A iniciativa prevê a articulação entre diferentes instituições para identificar situações de risco e encaminhar mulheres aos serviços de proteção.
“O Projeto Ampara nasce da necessidade de garantir que nenhuma mulher fique sozinha quando precisa de ajuda. Muitas vezes o feminicídio é o resultado de uma sequência de violências que poderiam ter sido interrompidas”, explicou.
Sequência de feminicídios preocupa
O caso em Ponta Porã ocorre em meio a uma série de feminicídios registrados em diferentes cidades do Estado, como Anastácio e Paranhos.
Para a deputada, a repetição desses crimes revela um padrão preocupante.
“Estamos vendo mulheres sendo assassinadas dentro de casa, por companheiros ou ex-companheiros. Isso mostra que a violência doméstica continua sendo uma das formas mais graves de violação dos direitos humanos no nosso país”, destacou.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que Mato Grosso do Sul possui uma das maiores taxas de feminicídio do Brasil. Entre 2021 e 2025, 181 mulheres foram assassinadas no Estado por razões relacionadas ao gênero.
Mobilização e políticas públicas
A parlamentar também ressaltou a importância de mobilizar toda a sociedade no enfrentamento à violência, citando iniciativas como a campanha Todos Juntos por Todas, que integra o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios e busca envolver instituições e a população — especialmente os homens — na prevenção da violência.
Tecnologia como aliada
No cenário nacional, medidas recentes também buscam ampliar a proteção às vítimas. O Senado Federal aprovou proposta que prevê o monitoramento de agressores por tornozeleiras eletrônicas integradas a sistemas inteligentes, com alerta automático às vítimas em caso de descumprimento de medidas protetivas.
Para Gleice Jane, a tecnologia pode ajudar, mas precisa vir acompanhada de investimentos estruturais.
“Não basta reconhecer que a violência existe. Precisamos agir para preveni-la. Isso significa fortalecer políticas de proteção, garantir acolhimento às vítimas e responsabilizar os agressores”, afirmou.
A deputada concluiu destacando que o enfrentamento à violência de gênero exige compromisso contínuo do poder público e da sociedade.
“Cada caso de feminicídio é uma tragédia que poderia ter sido evitada. Transformar indignação em ação é o caminho para proteger a vida das mulheres”, finalizou.
