Audiência na Câmara maioria rejeita privatização da saúde em Campo Grande
A proposta de gestão por Organizações Sociais (OSs) em unidades de saúde de Campo Grande encontrou forte resistência durante audiência pública realizada na sexta-feira (10). Profissionais da saúde, vereadores, sindicatos e representantes da sociedade civil lotaram a Câmara Municipal e, em sua maioria, se posicionaram contra a medida.
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Debate reúne servidores e sociedade
A audiência discutiu a proposta da prefeitura de implementar OSs nos Centros de Saúde dos bairros Tiradentes e Aero Rancho. O encontro foi marcado por críticas à possível terceirização da gestão, com apontamentos sobre riscos à transparência, fiscalização e qualidade do atendimento.
Principais críticas ao modelo
Entre os pontos levantados pelos participantes estão:
- Possível precarização dos serviços
- Falta de controle e transparência
- Risco de vínculos trabalhistas mais frágeis
- Transformação do atendimento em metas numéricas
Representantes de diversas categorias — médicos, enfermeiros, farmacêuticos, assistentes sociais e usuários do SUS — reforçaram que a prioridade deve ser investimento direto no sistema público.
Vereadores divergem mas maioria é contra
O presidente da Comissão de Saúde, Dr. Victor Rocha, destacou que há necessidade de melhorias, mas com construção coletiva e não por meio da terceirização.
Já o vereador Dr. Lívio afirmou que a comissão já tem posição majoritariamente contrária ao modelo.
Outros parlamentares também criticaram a proposta, como Marquinhos Trad, que resumiu:
“Saúde não é negócio, é direito”.
A vereadora Luiza Ribeiro reforçou a defesa do SUS e citou iniciativas para barrar a terceirização.
O único posicionamento favorável veio do vereador Rafael Tavares, que defendeu o modelo como alternativa para melhorar a eficiência da gestão.
Prefeitura defende proposta
O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, apresentou a proposta e justificou que o modelo pode trazer mais agilidade e eficiência, diante das limitações da gestão pública tradicional.
Segundo ele, o custo atual das unidades é de cerca de R$ 4,3 milhões mensais, e a mudança busca melhorar indicadores e reduzir tempo de espera.
Debate segue aberto
Apesar das divergências, a audiência foi considerada produtiva e reforçou a necessidade de diálogo entre poder público, trabalhadores e sociedade.
O encontro evidencia que o tema ainda deve gerar novos debates e embates políticos na Capital, especialmente diante da sensibilidade que envolve a gestão da saúde pública.
