23 de janeiro de 2026
Manchete

Betinha, da dupla Beth & Betinha, morre aos 84 anos em Campo Grande

Com mais de 60 anos dedicados à música, a cantora Betinha, da histórica dupla Beth & Betinha, morreu na quarta-feira (17), em Campo Grande, aos 84 anos. Ícone da música regional, ela marcou gerações e ajudou a construir a identidade cultural de Mato Grosso do Sul, ainda nos tempos em que o Estado integrava o antigo Mato Grosso.

Eleonor Aparecida Ferreira dos Santos, estava internada há seis dias em estado grave no Hospital Universitário (HU). Segundo informações repassadas pelo músico Márcio Santos, sobrinho da cantora, Betinha foi hospitalizada com um quadro de anemia isquêmica, passou a depender de hemodiálise e fazia uso de medicações para manter a pressão arterial e a função cardíaca.

Pioneirismo feminino na música regional

Ao lado da irmã Beth, Betinha formou uma das duplas femininas mais importantes da história musical do Estado, em um período em que o espaço para mulheres na música era extremamente restrito. Juntas, abriram caminhos, deram voz às tradições regionais e se tornaram símbolo de resistência, talento e pioneirismo.

As duas afirmavam ser a primeira dupla musical feminina de Mato Grosso do Sul. Ao longo da carreira, venceram festivais de música no Estado e também no Paraguai, conquistando reconhecimento além das fronteiras brasileiras.

Naturais de Rio Brilhante, ganharam o título de “Princesinhas da Fronteira” após vencerem um concurso de composição em castelhano e guarani, promovido por uma rádio de Assunção, feito que consolidou a dupla no cenário regional.

Carreira iniciada nos anos 1950

A estreia oficial como Beth & Betinha aconteceu em 16 de junho de 1956, no Clube Amambay, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Dois anos depois, em 1958, as irmãs se mudaram para Campo Grande, onde deram continuidade a uma longa e saudosa trajetória artística.

Durante a carreira, a dupla passou por palcos de clubes, rádios, festivais e até temporadas de apresentações em circo, levando música regional, romantismo e identidade cultural a públicos de diferentes gerações.


A equipe do site Campão News, entrou em contato com a cineasta Marinete Pinheiro que está em El Salvador e se pronunciou dizendo: “Uma mulher que guardo num lugar muito especial no coração, aprendi muito com ela, sua energia, sinceridade, carinho e talento. Minha gratidão eterna por documentar sua história e registrar seu legado!

Despedida

O velório de Betinha ocorreu na Capela Jardim das Palmeiras, localizada na Avenida Tamandaré, em Campo Grande. A cerimônia de cremação foi realizada no Crematório de Campo Grande.

Legado eterno

A morte de Betinha representa uma grande perda para a cultura sul-mato-grossense. Seu legado permanece vivo nas canções, na memória afetiva do público e na história da música regional, especialmente pelo papel fundamental que exerceu na valorização da mulher na arte.

Betinha deixa uma trajetória marcada por talento, coragem e amor à música, que seguirá inspirando artistas e admiradores por muitas gerações.

Foto: Marinete Pinheiro