
A Fiems participou, na sexta-feira (6), do lançamento da pedra fundamental da ferrovia do Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência. O novo ramal ferroviário é considerado um marco logístico para a indústria de Mato Grosso do Sul, especialmente para o setor de celulose, que lidera a produção e as exportações nacionais.
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Representando o presidente da Fiems, Sérgio Longen, o vice-presidente Crosara Júnior destacou que a Federação tem atuado de forma integrada com as instâncias estaduais para criar oportunidades estruturantes ao setor produtivo. Segundo ele, a entidade está preparada para apoiar a nova fase industrial por meio de iniciativas do Sesi, Senai e IEL.
“Esse evento simboliza a convergência de esforços construídos ao longo dos anos. A Fiems está pronta para apoiar a indústria também neste momento decisivo, que é colocar a fábrica em pleno funcionamento”, afirmou Crosara.
O novo ramal ferroviário vai atender diretamente a futura fábrica da Arauco, que terá capacidade produtiva de 3,5 milhões de toneladas anuais de celulose. A produção será escoada até o pátio da Rumo Malha Norte (RMN) e, posteriormente, seguirá para o Porto de Santos, com destino principalmente aos mercados dos Estados Unidos, Europa e Ásia.
A ferrovia será implantada no modelo short line — ferrovia de curta extensão voltada à logística — com 45 quilômetros de extensão, além de outros 9 quilômetros dentro da própria planta industrial. A previsão é que as obras sejam concluídas no segundo semestre de 2027.

O ministro dos Transportes, Renan Filho, ressaltou que a implantação da ferrovia representa um avanço estrutural para a logística nacional e para a competitividade de Mato Grosso do Sul. De acordo com ele, o novo modelo reduzirá em cerca de 190 viagens de caminhão por dia, o que corresponde a uma diminuição de 94% na emissão de CO₂.
“A ferrovia torna o transporte mais eficiente, melhora a segurança nas rodovias e amplia a capacidade de escoamento da produção. Essa é a primeira concessão desse tipo no Brasil e abre uma nova rota de desenvolvimento para o Estado”, destacou o ministro.

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, enfatizou que o crescimento do Estado está diretamente ligado aos investimentos em infraestrutura e a novos modelos de parceria entre o poder público e a iniciativa privada.
“Esse projeto é estratégico para o desenvolvimento regional. É um novo modelo aprovado pelo Congresso, que permite à empresa construir a ferrovia para uso próprio, simplificando processos, reduzindo custos e garantindo eficiência logística”, afirmou.
O complexo industrial da Arauco ocupa uma área de 3,5 mil hectares e recebe investimentos de R$ 26 bilhões. A previsão é que a fábrica entre em operação em 2027, gerando mais de 2.500 empregos diretos na fase operacional. Atualmente, mais de 9 mil trabalhadores atuam na obra, número que deve ultrapassar 14 mil no pico da construção.
O diretor-presidente da Arauco, Carlos Altimiras, destacou a importância da união entre os setores público e privado. “Esse é um marco legal consistente, fundamental para um planejamento de longo prazo e para o fortalecimento da indústria no Estado”, afirmou.
Mato Grosso do Sul já conta com quatro plantas industriais de celulose em operação, com capacidade produtiva de 7,5 milhões de toneladas por ano — cerca de 30% da capacidade nacional. Até 2030, com os projetos da Arauco e da Bracell, o Estado deve incorporar mais 5 milhões de toneladas anuais, consolidando-se como o maior produtor de celulose do Brasil.
Segundo dados do Observatório da Fiems, entre 2024 e 2025 o Estado ampliou sua participação nas exportações nacionais de celulose de 28% para 35%, com crescimento de 17% na receita do setor. Atualmente, o produto representa 29% de tudo o que Mato Grosso do Sul exporta, com receita recorde de US$ 3,1 bilhões e vendas para mais de 40 países.
Com mais de 90% da produção escoada pelo Porto de Santos, a nova ferrovia surge como peça-chave para sustentar a expansão da cadeia da celulose, que hoje emprega cerca de 22 mil trabalhadores formais no Estado e se consolida como um dos principais motores da economia sul-mato-grossense.
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